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Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira
Para: Prof. Dr. Eduardo de Assis Duarte – NEIA / FALE / UFMG
O Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-brasileira – INTECAB/MG congratula-se, de público, com o professor Eduardo de Assis Duarte, da Faculdade de Letras da UFMG, pelo lançamento dos livros que integram a obra “Literatura e afro descendência no Brasil – antologia crítica”. Parabeniza, também, a professora Maria Nazareth Fonseca e os 61 pesquisadores vinculados a 21 instituições do ensino superior nacional e seis estrangeiras – participantes deste monumento à cultura afro-brasileira, à literatura e cultura nacionais”.
Everaldo Duarte – Agbajigan /Coordenador Nacional Intecab
Sônia Alcântara Vilela – Njinga /Coordenadora do Intecab – MG
ZUMBI: HONRA AOS ANCESTRAIS
O Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira – INTECAB, por sua coordenação de Minas Gerais, associa-se a todos religiosos e adeptos do Culto aos Orixás e aos Ancestrais, as instituições culturais, sociais e religiosas de defesa dos afro-brasileiros, na saudação aos 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.
Há cerca de 40 anos que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. Celebra-se Zumbi de Palmares como território ou terreiro da luta de negros – ao lado de brancos e de ameríndios – contra a escravidão, de 1594 a 1695. Valoriza-se o quilombo de Palmares como história dos negros africanos que usaram todo o saber que trouxeram da África para sustentar a vida, produzir bens para trocas comerciais, para construir abrigos, resgatar artes militares e edificar fortificações para a defesa do Quilombo. Palmares é mais do que resistência: é história de afirmação de negros, de ameríndios e de brancos – livres foram capazes de recriar sua vida, através do compromisso coletivo com uma vida melhor para todos.
As instituições culturais e religiosas afro-brasileiras – Terreiros da Tradição dos Orixás e do Culto aos Ancestrais, os Blocos Afros, os Afoxés, as Escolas de Samba e os diversos grupos organizados do movimento social negro foram e são, na contemporaneidade, herdeiros da cultura afro-brasileira. É essa cultura que impulsiona a criação e a recriação permanente de nosso modo de viver, de nossa relação com o Sagrado e com a Natureza. Afirmamos nossas Tradições, valorizamos o que temos em comum com todos os parceiros da sociedade e respeitamos as diferenças culturais. Nossas instituições religiosas e sociais são os nossos espaços para o aprendizado permanente e o aprofundamento constante do saber e do direito de lutar para a superação do racismo e do etnocentrismo.
O INTECAB congratula-se com a sanção, no último dia 10 de novembro, da Lei 12.519, que institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro. A homenagem a Zumbi dos Palmares é um modo de honrar nossos ancestrais os quais nos estimulam e nos mobilizam para o estabelecimento da justiça, da igualdade para todos e para a consolidação da democracia.
NJINGA SÕNIA VILELA – COORDENADORA INTECAB MINAS GERAIS.
AGBAJIGAN EVERALDO DUARTE – COORDENADOR NACIONAL DO INTECAB.
PROFESSOR DALMIR FRANCISCO – CONSELHO CONSULTIVO NACIONAL.
A Tradição Religiosa Africana pratica-se uma série enorme de pequeninas coisas aparentemente sem valor, que tem grande importância como parte de um todo, que é o resultado que se deseja obter. Dentro da nossa Lei, tudo é importante! O menor dos detalhes tem a sua hora exata e seu valor real e o êxito de um grande trabalho depende muitas vezes, desses pequeninos atos que, para muita gente, passam despercebidos.
Eles fazem parte de um conjunto ritualístico e sua omissão quebra a harmonia do conjunto e prejudica o efeito. Hoje é habito que algumas pessoas leigas, absolutamente estranhas a nossa comunidade de terreiro, criticam de atraso e ignorância as nossas práticas.
Entretanto essas cerimônias, esses pequenos detalhes, representam a conservam, através dos séculos de tradições.
E só podemos supor que essa antiguidade lhe assegura um fundo de verdade proveitoso, pois seria inacreditável que algumas dessas práticas muitas vezes difíceis de realizar ou muito dispendiosas conseguissem atravessar os séculos, se fossem inteiramente destituídas de valor!
O homem é dotado de senso prático e, certamente acabaria por eliminá-las se delas não lhes viesse de fato um proveito.
Além do mais, há práticas que são atacadas hoje, quando fazem parte do ritual da tradição Africana…
No entanto se elas chegaram até nós através dos nossos antepassados africanos, eram também praticadas por outros povos que ninguém censurará pois tiveram belíssimas civilizações, das quais a humanidade se orgulha até hoje!…
E depois, prática de ritual é uma coisa muito particular e só pode bem compreendê-la aquele que está executando a ritualística de sua tradição religiosa. Mas vamos conversar sobre uma das coisas que, embora mais simples, tem uma grande importância – dentro da execução de um ritual: – o preceito de não se olhar para trás após despachar um “ebó”.
Todos nós sabemos que há inúmeras regras a serem observadas para esse ato. Essas regras podem variar de acordo com o fim a que se destina o trabalho, a entidade a qual é destinado, e o local. Pode ser efetuado pelo próprio interessado em casos especiais, ou executado por um cambono de “ebó”.
Assim a pessoa estará executando um serviço em benefício próprio ou de outrem. Sabemos também que, como providência inicial, é absolutamente indispensável uma consulta para saber se esta ou aquela pessoa pode encarregar-se de tal tarefa. Essa providência tem por finalidade evitar sérios malefícios resultantes de lamentáveis enganos. Não são poucos os casos em que pessoas de boa fé e na melhor das intenções, foram dar cumprimento a uma ordem recebida o resultado foi desastroso! Certas “kuizilas” têm que ser respeitadas.
Por mais, bem intencionadas que estejam. Já o cambono de “ebó”, pelo seu próprio cargo está apto para isso. Só poderá ocupar tal função dentro das comunidades de terreiros, pessoas previamente escolhidas e preparadas já conhecendo de todos os preceitos e precauções para a execução desta tarefa.
Mas, voltando a regra de não olhar para trás após serviços desta natureza. É uma das regras severas a serem observadas. Mas não é uma regra sem fundamento! O olhar representa uma poderosa força como todos nós sabemos. O olhar transmite e recebe correntes poderosas!… Conhecemos de sobra os “maus olhos” ou os “olhos de seca pimenteiras”, pois bem, quando nós despachamos alguma coisa não devemos olhá-la mais! Tudo que entregamos nos poderá voltar através de força deste olhar. Traríamos de volta o que deixamos.
Na África os caçadores observam o preceito de não olharem para trás a fim de não ser perseguido pelas feras, tal a força do olhar.
Njinga Sônia Vilela
Coordenadora do Intecab /MG/Brasil
Presidente da Associação Cultural Lunda Kioko/MG/ Brasil

Este símbolo marcara a trajetória da Associação Cultural Lunda Kioko, e do Onyllé Onyká, Criado pela Nijinga Sônia Vilela. A marca retrata o místico simbólico do Bakuro baluarte da comunidade religiosa Onylé oniká.
Xaxará de Omulú de grande importância para Tradição e Cultura Afro Brasileira nos rituais dentro da religiosidade, não poderia deixar de ser para a Nação Lunda Kioko Etnia Bantu. O símbolo escolhido dentro de olhar contemporâneo sem fugir da tradição, elaborado com palha da costa e búzios, e miçamgas, por arcos de palha com cabaças penduradas curvatura dos arcos numa simbologia de totalidade de três (três arcos, que representa a terra, fogo, água, os arcos de palha embaixo no total de dois (2) representando o mundo visível onde vivemos. Onde transmutamos as forças da natureza representada na evolução consistente onde recebemos a proteção deste Bakuro. Numa estética conjunta com elementos através do sagrado.
Os arcos para baixo e uma comunicação de transmutação misteriosa. A palha como elemento de proteger varrer os malhes. Os arcos na vertical trazem a consciência e a manifestação das comunicações e entendimentos da liturgia que cuja memória transcende os nossos ancestrais, através de varias gerações. A combinação das cores, búzios e miçangas completam a ornamentação integrando o sagrado místico.
QUAL É O TERREIRO EXCLUSIVO DE ORIXÁ.
Por mais que alguns altos preservadores da tradição dos Orixás quisessem e até a data presente ainda queiram e afirmem que nos seus terreiros só existia a presença exclusiva dos Orixás, é inteiramente difícil e até impossível.
Para que atualmente, mesmo em Salvador-BA, um terreiro de Orixá seja “puro”, cultuando exclusivamente os Orixás, é preciso que ele seja fechado e reaberto novamente, excluindo e cerceando de seu axé original, de sua implantação e desenvolvimento, as entidades de outras nações intrinsecamente relacionadas à tradição do terreiro. Mesmo aqueles que se consideram da nação Nagô ou Ketu, estão permeados por Obaluaiyê, Nanã, Oxumaré, e mesmo Legba ou Elegbará, todos fortemente associados à nação Jêje, sem falar de assentamentos da nação Grunci e de tradicionais terreiros que cultuam caboclos – donos da terra – nos quais muitos de suas filhas e filhos, independente de seu orixá, têm um caboclo que se manifesta.
Mesmo assim, ainda temos entre esses zeladores aqueles que dizem não gostar do culto dos ancestrais Eguns, repudiando o mesmo e aos seus seguidores. Apesar de considerarem-se pessoas muito profundas no conhecimento da sua própria seita ou religião, como queiram chamar, parecem esquecer que agindo como agem, elas estão repudiando e desvalorizando a si próprias, aos Eguns dos seus antepassados, principalmente os fundadores do terreiro, que plantaram e transmitiram a religião, seus valores e costumes. Em qualquer terreiro de adoração aos Orixás ou de outras entidades de qualquer nação, se tem por obrigação, antes de começar qualquer cerimônia, colocar água no chão e invocar todos os Eguns relacionados com o axé do terreiro, pedindo licença a Essas e demais ancestrais e comunicando o que vai ter que ser realizado.
Tivemos aqui em Salvador pessoas de destaque, Iyá e Babalorixá, que valorizavam seus terreiros e, de acordo com a tradição, respeitavam os terreiros de adoração aos Eguns.
Mãe Aninha a famosa Iyalorixá Eugênia Ana dos Santos, fundadora de tradicional terreiro da Bahia, respeitava e considerava tanto o culto de adoração aos ancestrais Eguns, que venerava o Egun Babá Alapalá como Ojixé, espécie de mensageiro protetor do seu terreiro.
A própria Mãe Senhora, Iyalorixá de saudosa memória, era Iyá-egbe, título máximo na sociedade do culto aos Eguns, mãe da sociedade, chefa da comunidade do terreiro Ile Agboulá, na Ilha de Itaparica.
Os mais velhos seguidores, preservadores e profundos conhecedores das obrigações para com os Eguns e os Orixás, sempre diziam, e deixaram bem claro, para aqueles que tiveram a felicidade de escutar e aprender, que os antepassados, os Esses e Eguns, são fundamentais para a própria existência do terreiro.
Mestre Didi Alapini/ swaju / l989
Ex: Coordenador Nacional do Intecab/ BA/ Brasil
Membro Fundador do Intecab /BA/Brasil
Coleção Personalidades Negras tem três novos livros
Na última sexta-feira, dia 26 de março, um evento no Espaço Eliseu Visconti, da Fundação Biblioteca Nacional (Rua México, s/nº, Centro) marcou o lançamento de três novos livros da coleção Personalidades Negras:
Tia Carmen, negra tradição da Praça Onze, de Yara da Silva;
José do Patrocínio, a imorredoura cor do bronze, de Uélinton Farias Alves;
Carolina Maria de Jesus, uma escritora improvável, de Joel Rufino dos Santos.
Da mesma coleção uma iniciativa que une a Editora Garamond, a Biblioteca Nacional e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) fazem parte os volumes Machado de Assis, de Dau Bastos; Aleijadinho, de Maria Alzira Brum Lemos; e Pelé, de Angélica Bashti, já lançados.
Mais informaçõesno site da editora: http://www.garamond.com.br/
Fonte: Faperj

O Projeto Expresso Cidadania, da Assembléia Legislativa de MG, começou suas atividades no último dia 04 de março na Cidade de Barbacena. Confira as cidades e as datas onde o Expresso passará este ano no site: http://www2.almg.gov.br/hotsites/expresso_cidadania/programacao.html
O 3º Seminário Nacional sobre Trabalho Infanto-Juvenil, realizado pela Associação dos Magistrados do Trabalho da 15ª Região (Amatra XV), nos dias 11 e 12 de março próximos, no Parque Tecnológico Riuji Kojima, em São José dos Campos, já tem a programação definida.
A abertura do evento, que tem como correalizadores a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), a Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, o Ministério Público do Trabalho (pela Procuradoria Geral do Trabalho) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por sua 36ª Subsecção de São José dos Campos, terá a conferência do professor da Unicamp e presidente do Ipea, Márcio Pochmann.
O encerramento do seminário contará com a palestra do juiz do trabalho aposentado e professor da USP, Oris de Oliveira.
 Fonte Unicef Brasil
Extraído de: Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho
Vai ser realizado a partir do dia 3 até o dia 09 de novembro na Orla da Lagoa da Pampulha, o 5º Festival de Arte Negra, o FAN 2009. ESse ano com a presença de Gongos vindo da África, Caribe e Brasil.
Também o shows de artistas de várias partes do mundo.
Este artigo foi extraído do SIWAJU nº 3 de maio de 1989
Eu me lembro. Leitor assíduo que fui da revista O CRUZEIRO e fã incondicional de Raquel Queiroz e das suas crônicas na ÚLTIMA PAGINA, me lembro agora, especialmente, de quando a Raquel nos contava do seu espanto quando, ainda menina, viu espocar um flash, dentro da igreja.
Alguém acabara de fotografar o Santíssimo na hora da elevação, no momento em que todos, de joelhos, e cabeças baixas sequer se atreviam a levantar os olhos na direção do Sacerdote. Naquele momento pairava no ar uma reação comum a todos os fiéis, SACRILÉGIO.
Claro que o momento já vai longe, perdido no tempo e no espaço. Os tempos mudaram. Sacrilégios à parte, a televisão ai está. Fuçando as entranhas daquilo ou daqueles, que se permitem vasculhar. A falta de decoro ou a profanação não parte do entrevistador, mas do entrevistado. Alguém fotografou o Santíssimo e estarreceu Raquel porque a porta da igreja já estava aberta. E porta aberta, para o incrédulo, para o ateu e até mesmo para o indeciso é um convite ao aproveitamento, quer seja para o bem ou para o mal.
Os terreiros de Candomblé sempre mantiveram as portas de entrada de seus barracões abertas a quem quer deseje ali entrar e participar dos eventos. Mesmo no tempo da repreensão policial. Aliás, a própria estrutura religiosa não permite outra postura. Do mesmo modo assim também procedem as diversas manifestações da religião afro-brasileira. Mas, é bom lembrar tudo o que podia se tornar público o era, no barracão e somente ali. As outras portas se mantinham fechadas aos não portadores da iniciação necessária à manutenção do sagrado.
Hoje, alguns chefes dessas comunidades estão abrindo todas as portas de seus axés, permitindo assim, que elementos aproveitadores e nocivos se transforme em notícias de televisão espetando alfinetes em bonecos de plásticos, usando cânticos sagrados em músicas de blocos carnavalescos, fazendo despachos e falsas cerimônias religiosas em público, o que na maioria das vezes corresponde ou atende às expectativas de grupos interessados em desmoralizar as formas religiosas herdadas dos ancestrais africanos.
É bem verdade que essas “cenas” não abalam os autênticos chefes de terreiros, pois, esses bem sabem identificar o que de fato pode ser considerado sacrilégio. Esses sabem que os fatos gerados ou permitidos por aqueles não passam de autênticas palhaçadas promocionais. Entretanto o que esses não podem evitar é o receio de que leigos, os não menos avisados e de certa forma, até alguns iniciados participem dessas pantomimas e se envolvam com o mercenarismo praticado abertamente em nome do candomblé.
É necessário que esses “pais e mães de santo” percebam que os fazedores de Vídeo Clips não estão interessados em promover ou exaltar os valores da religião afro-brasileira, mas sim desenvolver um trabalho que os coloque em evidência como protagonistas da formação de acervo rico em cores, músicas e dança, no qual o aspecto religioso será sempre tratado como superstição no seu conteúdo etno-social.
É preciso dar um basta a essa permissividade. O dinheiro recebido não vale a pena.
Quando os fazedores de notícias, esses estão apenas cumprindo com o dever de assalariados de grupos poderosos e não têm nada a ver com as conseqüências geradas pelo o que foi ou não foi divulgado. A culpa, volto a dizer, cabe a quem os permite entrar por aquelas portas que em verdade não deveriam estar abertas a qualquer um.
*Everaldo Duarte Agbajigan
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